sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Mundo dá Voltas

E mais um ano vai chegando a seu fim. Como sempre, esse é um tempo usado para reflexão acerca do passado e do futuro, planos e metas, prioridades. É tempo de olhar para trás e avaliar os frutos desse ano, se bons ou ruins. Nessa semana tenho pensado nisso.

O mundo dá voltas. É incrível, e de certa forma triste, olhar para trás em minha vida e na vida de meus amigos e ver coisas que "certamente" eram da vontade de Deus, planos que seguramente eram abençoados, mas que hoje podemos ver que eram armadilhas. Essa é a parte triste, perceber como somos cegos e literalmente burros ao fazermos nossos planos e declará-los de maneira papal que eles são a vontade de Deus. Pedir a Deus que abençoe planos e atitudes que vão contra os princípios de Sua Palavra é como pedir que Ele negue a Sua verdade pelo nossa satisfação própria. Ou seja, idiotice nossa.

A parte incrível é novamente ver como a Palavra é verdadeira quando diz que "todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas no final, são caminhos de morte"(Pv 14.12; 16.2). É incrível ver que Deus realmente "tem cuidado de nós" e que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (1 Pe 5.7; Rm 8.28). É incrível ver que "as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã" (Lm 3.22-23) e só por causa disso não sou consumido pelo fogo. Saber que "o Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio" (Sl 18.2). Saber que há esperança para mim, um vil pecador, indigno dessa graça recebida. Que mesmo quando meus olhos se fecham e meu coração endurece, Tu, oh Senhor, me resgata e corrige meus caminhos.

Oh Pai, no fnal deste ano, te agradeço pelos planos frustrados, pois se eles sucederam dessa maneira, foi por que permitistes. Graças dou, Pai, pois neste ano, pelo menos grande parte dele, priorizei estar contigo às outras coisas. E Tu fizestes valer a Tua Palavra de que "todas as outras coisas me seriam acrescentadas." (Mt 6.33)

E quanto mais cresço, mais vejo que sou pequeno; quanto mais luz me cerca, mais vejo a escuridão em mim; quanto mais sarado, mais percebo ao quão profundas são minhas feridas e quanto cura ainda preciso; quanto mais amado, mais sou constrangido a amar; quanto mais perdoado, mais sou levado a perdoar. Porque tamanha graça me foi concedida, devo partilhá-la, seja em palavras ou em ações, para que o mundo veja que Tu és Deus.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Plano da Salvação - 3 de 5

3. (Dedo do meio) “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Romanos 5:8


Seu amor foi maior. Deus continua Seu plano perfeito enviando Seu filho para viver nesta Terra de maneira santa, o primeiro a não transgredir a lei em nenhum ponto, dar o exemplo e ser morto na cruz em expiação por nossos pecados.


“A gravidade de um crime é medida comparando-a com a dignidade de contra quem você peca. Tem gente que acha que 70 anos de pecado não mereciam uma eternidade no inferno. Por exemplo, se você vê o seu filho esmagando uma formiga no seu quintal, você não vai se importar. Mas se você ver o seu filho esmagando gatos no seu quintal, você vai se importar. Por que pra você um gato é mais importante do que uma formiga. Se você ver alguém esmagando o seu filho no seu quintal, você vai se importar muito mais por que, pra você, seu filho é muito mais importante que um gato. Sabe o que nós esmagamos com o nosso pecado? A glória do Deus infinito. Se você ver alguém matando formigas, você não vai ligar. Se você ver alguém matando gatos, talvez ele seja parado pela polícia, mas isso é besteira. Se você ver alguém matando o seu filho, essa pessoa será presa por muito tempo. Se alguém for pego por Deus pisando a glória Dele, essa pessoa precisará pagar por isso - e isso é eterno. Isto é para sempre, por que a glória de Deus é muito valiosa.”

Quem disse isso foi Yago Martins, um jovem brasileiro de 18 anos do Nordeste. Ele, mesmo sendo jovem, já percebeu o que Cristo fez na cruz. Jesus veio perdoar os que não deveriam ser perdoados.

“Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.”
Isaías 53:3-7
Jesus viveu Sua vida aqui na Terra, foi provado no deserto pelo diabo, foi provado todos os dias pelo pecado, porém sem pecar. Ele foi Aprovado por Deus. O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele. Que castigo foi este? Bem, nós podemos dizer que a cruz foi um sofrimento, os cravos, o escárnio e tudo isso. Mas o grande castigo, aquele que deveria cair sobre nós, era o derramar da ira de Deus. Quando todos os pecados da humanidade recaíram sobre Jesus na cruz e Ele gritou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? “ (Mt 27:46); isto quis dizer que naquele momento Jesus estava fora da presença de Deus, Deus se ausentou de perto Dele, por que naquele momento todo o pecado da humanidade recaíra sobre Cristo.

O negócio era o seguinte, alguém tinha que pagar, alguém tinha que morrer. Essa era a dívida da humanidade com Deus. A gravidade de um crime é medida comparando-a com a dignidade de contra quem você peca. Nós pecamos contra o Deus Altíssimo, nós merecemos o inferno para sempre. É simples, não precisa ser muito inteligente para compreender. Nós deveríamos pagar com nossas vidas. A regra era morrermos; eu, você e você também!

Mas o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele. No famoso momento do Getsamani, onde Jesus suou sangue, Ele orou “dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22:42 ; Mc 14:36 ; Mt 26:39). Este cálice seria derramado sobre a cabeça de Jesus. Tem gente que diz que este cálice representava o sofrimento da cruz ou a dor dos cravos e dos espinhos ou até mesmo da lança que O transpassou. Mas na verdade neste cálice havia a Ira de Deus e ele foi derramado sobre Jesus. Isaías profetizou sobre isso: “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado...” (Isaías 53:10). Agradou moê-lo.
No Antigo Testamento, eles sacrificavam animais para que seus pecados fossem perdoados. Estes animais eram o melhor que o povo tinha, era a nata da nata. Mas estes sacrifícios deviam ser realizados regularmente para que se fosse purificado do pecado. O sacrifício de Jesus colocou um fim nisso. O sacrifício de Jesus foi suficiente, foi perfeito, como tudo o que Deus faz. Nessa nossa dívida alguém extremamente santo havia sido lesado, somente alguém igualmente santo poderia pagar a dívida. E Jesus, o Deus-homem, o fez.

Imagine que você tenha uma conta no bar do colégio. Então, em um mês, você consegue a proeza de gastar 150 trilhões de reais. Não me pergunte como, mas você chegou nessa quantia impagável para um ser humano. Não sei nem se tem tanto dinheiro no mundo. Aí imagine que o dono do bar te dá um ano pra você tentar juntar dinheiro. Você vai lá, se mata de trabalhar, ajuda o pai, a mãe, trabalha de madrugada, vira vigia e junta todo o dinheiro que você conseguiu. Daí depois de um ano, você volta e coloca 1 milhão de reais na mesa do dono do bar. Caraca quanto dinheiro! Um milhão de reais é muito e você se sente orgulhoso por ter conseguido tanto! Mas aí você se lembra, a dívida era de 150 trilhões. Um milhão é muito pouco. Então o dono do bar vira e fala: “Garoto(a), faça assim, vá falar com meu filho, nós conversamos e ele concordou em pagar a dívida para você, para que assim você pudesse continuar aqui.”
Você entende que foi isso que Jesus fez por você? Ele pegou uma dívida que para nós era impagável e a sanou. De maneira que “se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Rm 10:9)

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
João 3:16
Este foi o “tal maneira” que Deus nos amou: a ponto de dar seu único filho para sanar nossa dívida e abrir um caminho de salvação para o homem. Este é o amor de Deus. Ele não olha para quem você é ou para as coisas que você faz ou já fez. Ele te ama com um amor tão grande que vai além de suas transgreções, além de seus pecados. Ele conhece todos os esqueletos no seu armário, todos os seus medos e aflições. Ele te conhece por inteiro.
"Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."
Romanos 8:38-39

Essa é uma passagem que todos nós deveríamos ter na ponta da língua. É este amor que nos salva; é este amor que nos transforma; é este amor que nos da alegria de viver, que nos faz perseverar em meio ao sofrimento, que nos santifica, que nos purifica, que nos completa e acaba com a amargura. É esse amor que falta no coração das pessoas do mundo; é esse amor que elas procuram em tantas outras coisas como diheiro, sexo, bebida, drogas, poder, sucesso. Mas elas não entendem que o único que pode acabar com o vazio no coração delas é Deus, que materializou Seu amor por nós em Cristo Jesus. Precisamos entender que Deus não cobra nada de nós. Não! Ele nos aceita do jeito que somos. “O que vem a mim, de maneira nenhuma lançarei fora.” (Jo 6:37). É algo sobrenatural. Ele nos aceita, nos dá descanso, renova-nos, tranforma-nos, vivifica-nos.

E o que Ele quer ter conosco é um relacionamento pessoal. Deus não quer somente falar comigo, ou com os líderes e o pastor. Deus quer falar com cada um, Ele se importa com cada um. O Salmo 139 é uma prova disso. Lá Deus diz que nos conheceu quando nós éramos ainda substancia informe no ventre de nossas mães. Ele conhece a cada um de nós e deseja ter um relacionamento pessoal.

Brennan Manning¹ diz que, ao chegarmos no julgamento, Deus fará apenas uma pergunta a nós: Você creu que eu lhe amava, que eu lhe desejei, que eu lhe aguardei dia após dia, que eu ansiava por ouvir o som da sua voz? Os verdadeiros crentes dirão: Sim, Senhor Jesus, eu cri no Seu amor e eu procurei moldar minha vida como resposta a este amor. Mas de nós, mesmo dentro da igreja dirão: Bem, na verdade não nunca acreditei, ouvi sim uns maravilhosos sermões e ensinamentos sobre Seu amor. Eu até mesmo dei alguns estudos sobre ele, mas eu sempre achei que era um jeito de falar, uma mentirinha amável. É isso que diferencia o verdadeiro crente do crente nominal, aquele que só vai na igreja e não vive um relacionamento diário com Cristo. Se você está em dúvida se já sentiu e conheceu o amor de Deus, preste atenção nesta ilustração que Paul Washer nos traz. Imagine que o GABS² ainda não começou, imagine que nós tivessemos nos atrasado por que eu não estava aqui. Pra variar, o cara que vai dar a palavra não está aí. Então de repente eu apareço correndo, ofegante. Então nós começamos. Eu começo a explicar pra vocês o motivo do meu atraso: Bem pessoal, eu estava vindo aqui pra PIB³, meio atrasado já, correndo. Então eu fui atravessar a Rio Branco, mas eu deixei minha bíblia cair no meio da rua, então eu me abaixei para pegá-la, só que, quando eu levantei, eu vi que tinha um daqueles caminhões de mudança cheinho descendo o morro na minha direção e PÁ! Passou por cima de mim! E é por isso que eu me atrasei um pouco. Vocês iriam olhar para mim e dizer: “Mas o Dani, se um caminhão passou por cima de você, você deveria estar no mínimo todo torto!”

É exatamente isso. Se você se encontra com o amor de Deus é como se um caminhão te atropelasse, é impossível você ser o mesmo. Depois de um encontro com o amor de Deus você é transformado para sempre. Esse é o teste que devemos fazer para saber se conhecemos o amor de Deus.

É esse o amor materializado na cruz. Mas, como disse Paulo, “se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” ( 1 Co 15:17)


¹- Brennan Manning - Você crê que Ele te ama?

²- Grupo de Adolescentes Buscando a Santidade

³- Primeira Igreja Batista de Florianópolis

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Plano da Salvação - 2 de 5

2. (Indicador) “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.” Gênesis 3:6




Qual havia sido a ordem de Deus? “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”(Gn 2:16-17).


O pecado entrou no Jardim Do Éden. Todo mundo conhece a história, de como a serpente, que era o diabo, foi falar com Eva, falando que se ela comesse do fruto, eles seriam iguais a Deus. O orgulho, vaidade, sede de poder. Querer ser igual a Deus, o mesmo erro de Lúcifer, o anjo que quis ser igual ao Altíssimo. Pra quem não sabe, Lúcifer é o diabo. Nesta passagem fica evidente os pecados que mulheres e homens mais tem dificuldades: para as mulheres, a vaidade; para os homens, a omissão.

Russel Moore diz: “Aqueles familiarizados com a história cristã sabem que o pecado humano original trouxe uma sentença de morte. O que muitas vezes não se nota é que essa pena de morte foi radicalmente graciosa. Após se juntar à serpente em sua rebelião contra Deus, o homem e a mulher estavam espiritualmente separados da vida com Deus. Eles foram mortos. Deus os exilou fora do Jardim do Éden não porque ele era maldoso com eles, mas para levá-los para longe do meio designado para manter as suas vidas, a Árvore da Vida. Deus enviou a humanidade pecadora para fora do santuário já que “não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre” (Gênesis 3.22).”

“Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é.” (Dt 32:4). A partir deste momento, um abismo foi aberto entre o homem e Deus. Este abismo se chama pecado e ele impede aquele relacionamento que era o objetivo de Deus no início. A partir daí, o homem não poderia se relacionar com Deus diretamente, a não ser que ele fosse santo dos pecados, ou seja, separado do pecado.

Essa é a história do Antigo Testamento, Deus separando pessoas para Ele, para que fossem Seus representantes na Terra. Estes foram os patriarcas (Abraão, Isaque, Jacó e outros) e os profetas (Samuel, Isaías, Jeremias, Ezequiel e outros) e sacerdotes. Estas pessoas se relacionavam com Deus e depois passavam ao povo a Palavra de Deus. Estar na presença de Deus era uma exclusividade, era praticamente uma zona VIP. O homem não podia se relacionar diretamente com Deus. Se nós voltarmos, isso não é compatível com o objetivo que Deus criou o homem.

Mas o plano de Deus é perfeito como vimos e Ele já sabia o que fazer, pois nado O pega desprevinido. Mas antes de passarmos para o próximo ponto, precisamos esclarecer uma coisa.

No Antigo Testamento, Deus enviou a lei através de Moisés e essa lei seriviria para santificar o homem, ou seja, coisas que ele não deveria fazer, caso contrário, seria considerado impuro ou com pecado. Isso seria um caminho da salvação do homem pelas obras.

Mas não foi bem isso o que aconteceu:

“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;
Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.”

Romanos 3:10-18

A lei veio para que o homem soubesse que ele é pecador (Rm 3:20). A lei serviria para mostrar ao homem que sem Deus, Ele não conseguiria obedecer a lei. Para que assim, o homem obedecesse por amor a Deus, não por obrigação moral.

Ai que está o ponto que o mundo não entende, o homem sozinho não pode se salvar. Até as nossas melhores obras são como trapos de imundícia perante o Senhor (Is 64:6). No livro “A Cabana”, o autor diz o seguinte: “às vezes nós achamos que Deus é nós , só que melhorado tudo dez vezes. Por exemplo: a minha bondade vezes 10 é igual a bondade de Deus.” Mas ai que está, isto não é verdade. Deus não é um homem melhorado, Deus é Deus. Quando Deus foi falar com Moisés para que ele fosse ao Egito falar com o faraó, Moisés perguntou a Deus: “OK, mas o que eu digo para o povo quando perguntarem quem mandou esta mensagem?”. Vocês sabem o que Deus respondeu? “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.” (Ex 3:14).

Quando Deus disse que Ele era o que era, Ele estava dizendo a Moisés: “Moisés, nenhuma palavra do seu Aurélio pode descrever realmente quem eu sou. Eu sou o que sou.” Deus é completamente santo, completamente justo, misericordioso, poderoso, soberano, gracioso. Definir Deus é inconcebível a nossas mentes, nós somos limitados demais para isso. Deus está além de tudo o que poderíamos dizer. Tudo que existe de bom em nós, vem Dele. Não é algo natural à nossa natureza. Se você vê alguma qualidade neste mundo sem Deus, não se engane, ela é um pecado disfarçado. Não pode existir nada de bom se Deus não estiver lá.

Muitas vezes a gente pensa: ”Mas eu nem sou tão mal assim!” Uma coisa que Deus tem me mostrado é que eu tenho a tendência de achar que eu peco só às vezes. Mas não é isso que a Palavra mostra:

“..., e tudo o que não é de fé é pecado;”

Romanos 14:23

A gente precisa entender que, enquanto não nos rendermos completamente a Cristo e nos arrependermos de nossos pecados, tudo o que nós fazemos, TUDO, até nosso mero respirar, é pecado contra Deus. Por que o que é o pecado? Pecado é rebeldia contra Deus. Na essência, todos os nossos pecados apontam para uma afirmação: Eu prefiro viver minha vida do meu modo do que do modo que Deus tem para mim. Em sua essência, isso é o pecado, dizer a Deus que eu sou mais esperto e sei como viver minha vida melhor.

“E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.”

Gênesis 6:5

Esse versículo se refere aos tempos de Noé e mostra o estado deplorável do homem. Não existe nada em nós que seja bom, não existe nada em nós que possa nos levar a Deus; nós somos todos pevertidos, culpados, merecedores da morte eterna.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”

Romanos 3:23

Para o homem não havia mais salvação, nós estávamos condenados, sem saída. Mas Deus não permitiu isso, e nós sabemos quem Ele enviou.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O Plano da Salvação - 1 de 5

O objetivo desta sequência de posts e examinar mais a fundo o que conhecemos como "plano da salvação". Paul Washer critica a maneira superficial como evangelizamos hoje em dia, e eu concordo com ele. Precisamos conhecer a verdade bíblica sobre a criação, o pecado, a cruz, a nova aliaça e a vida eterna. Não podemos simplismente ficar no superficial. Busco nestes posts esclarecer um pouco a cabeça dos que o leiem. Claro, sou homem e falho, preciso da ajuda de Deus. Se algo que escrever não for correto, por favor, mande-me uma notificação, quer seja por comentário, quer seja por e-mail :] Eu usarei um método de evangelismo em que usamos a mão para ilustrar a história bíblica. A Deus e a Cristo toda a glória!

1. (Dedão) “No princípio criou Deus os céus e a terra.” Gênesis 1:1

Bem, antes de existir tudo, Deus existia. Ele estava lá, Ele sempre esteve. Lá estavam o Pai, o Filho e o Espírito Santo em um união perfeita, completa em amor; unidos como um.

Algumas pessoas acham que quando Deus estava neste princípio, Ele sentiu falta de alguma coisa (adoração, companhia) e por isso criou o homem, mas isso é uma mentira. Deus não estava sozinho por causa do profundo relacionamento da Trindade e Ele não é um egomaníaco que necessita do nosso louvor e adoração. A união entre a Trindade é perfeita e suficiente nela mesma, não necesseita de mais nada para ser perfeita. Deus se basta Nele mesmo. Em Jó 15:15, Jó diz: “Nem os céus são tão santos como Tu!”

Mas isso levanta uma pergunta: Por que Deus criou o homem então? Em uma conversa que tive com amigos meus em uma reunião de final de semana, nós debatemos sobre esse assunto e creio que Deus estava lá conosco e nos guiou a isto. Imagine esta metáfora: um casal está completamente apaixonado, o amor entre eles é tão maravilhoso que eles pensam: “Vamos compartilhar este amor!”. E então eles tem um filho. Este filho irá compartilhar do amor que os pais dele tem, se relacionando com eles. De uma maneira muito mais maravilhosa, a Trindade, em Seu amor perfeito, cria o homem com o objetivo de compartilhar deste amor através de um relacionamento real, pessoal e amoroso do homem com seu Criador. E assim, Seu nome seria glorificado.

Então Deus criou tudo o que há neste mundo e não o abondonou, como muitas pessoas pensam, mas ficou aqui a fim de se relacionar com o homem. A Evolução diz que isto não aconteceu, que a vida se originou a partir de uma “sopa nutritiva” que, com o passar de milhões de anos, grandes mudanças de temperatura e instabilidade molecular, deu origem a uma forma de vida simplíssima que evoluiu até nós hoje. Sinceramente, a lógica da minha cabeça não aceita esta ideia. Imagine uma célula humana e todas as suas organelas e suas atividades. É incrível a complexidade dela. E eles pegam e me dizem que isto é mera obra do acaso? É como se um relógio tivesse sido jogado para cima, todo desmontado, e caído no chão perfeitamente montado e funcionando.

Mas voltando, Deus criou o universo, a Terra e tudo que nela há; criou o homem imortal e sem pecado, para que se relaciona-se com ele e compartilhasse do Seu amor e o homem glorificasse ao Seu nome. Mas o que aconteceu?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Parem de Tentar Salvar a Igreja!

Como intelectual, lia eu certa vez uma história de Walt Disney, em que Zezinho, Huguinho e Luisinho, escoteiros mirins, tentavam fazer sua boa ação do dia. Assim, pegaram uma senhora idosa pelo braço e a fizeram atravessar a rua, num trânsito bastante pesado. A senhora ficou furiosa. Não queria atravessar a rua. Conseguira vir do lado para onde os escoteiros a levaram, e eles a fizeram retornar! Ajudantes trapalhões!

A história me voltou à mente ao reler um dos livros que arrumava em minha biblioteca. Um livro com análises sociológicas sobre a igreja, com várias receitas para salvá-la. Alguns dos temas versavam sobre “caminhos alternativos”, “reflexões e propostas”, “uma proposta para o futuro da igreja”, “novos paradigmas para viabilizar a igreja”, etc. Segundo os comentaristas, a igreja está doente, e seus judiciosos conselhos poderiam revitalizá-la. Queriam salvá-la. Lembrei-me quando cheguei ao Seminário do Sul, com 19 para 20 anos, e ouvia os veteranos conversarem sobre o futuro da igreja. O marxismo e o existencialismo avolumavam-se como uma onda. Era a época da teologia da morte de Deus, de Altizer, Hamilton, Adolphs, Van Buren, e a igreja estava para morrer. Um colega, bem incisivo, não dava dez anos para as igrejas fecharem as portas. Naquela época, era sinal de intelectualidade criticar a igreja e vaticinar seu fim. Hoje, além disso, parece ser sinal de espiritualidade. Ah, antes que me esqueça: o colega incisivo não está no ministério. Nem em alguma igreja local.

O final do século 20 e o início do século 21 mostraram a igreja em grande vigor, inclusive em lugares dados como morta. Aliás, a igreja de Cristo tem o estranho hábito de sepultar seus coveiros. Seus “salvadores” se perdem na poeira dos tempos, tornam-se nada, e ela segue sua jornada. Ela não precisa da salvação que afoitos escoteiros mirins lhe apresentam. Ela segue bem sem eles, e eles, na realidade, a atrapalham.

Falta bom senso a tais pessoas. Lembro-me de um jovem que, dizendo-se intelectual, apresentou-me algumas mudanças necessárias na igreja que eu pastoreava, para se tornar membro dela. Se tivéssemos sua visão, que era muito necessário para a igreja se arrumar e sobreviver, ele nos agraciaria sendo membro dela. Acho que ele se via como um presente de Deus à igreja. Como não estávamos tão desesperados assim, catando membros, disse-lhe que conseguiríamos sobreviver sem ele. Aquela igreja vai bem, e o jovem hoje não está em igreja alguma. Salvadores que não usam sua receita (e talvez se dessem mal com ela), mas, pior ainda, rejeitam a receita do Salvador, que tem mantido a igreja viva e vigorosa, em vinte e um séculos.

Esta visão dos escoteiros mirins da igreja parte do pressuposto, equivocado, de que ela é uma instituição meramente sociológica. Aplicando à igreja categorias de pensamentos seculares, eles querem adaptá-la aos novos tempos. Não entendem que a igreja é de origem divina, tem caráter sobrenatural, e que o que a mantém de pé é a presença do Espírito Santo que age nela, corpo de Cristo. E se ela se adaptar a novos tempos, estará sempre mudando sua forma e sua essência. Mudando sua essência, o conteúdo de sua pregação, deixará de ser igreja, embora mantenha o nome. Por exemplo: tendo deixado de ver as pessoas como pecadoras e sim como clientes por lisonjear, a igreja abandonou o conceito de pecado. Quase não se fala nele. Ele é desajuste, pressão social, outra coisa qualquer. Seu enfoque é psicológico, não bíblico. Em muitos aconselhamentos, a Psicologia tomou o lugar da Bíblia. Não é que Deus diz na sua Palavra, mas o que homens pecadores dizem com seus escritos. Uma cultura antropocêntrica colocou o foco do culto no homem: vencer, triunfar sobre as adversidades, enriquecer, ser feliz. Você ouve falar de santidade, do juízo final, sobre a volta de Jesus? Você tem ouvido sermões sobre a cruz? Você ouve falar de salvação pela graça, por meio da fé? Glorificar a Deus passou a ser gritar num culto. Vi isso num programa evangélico na televisão: “Glorifica mais alto, Fulano!”, pedia o animador do culto ao baterista. Glorificar a Deus é espancar a bateria?

Sei que são novos tempos, mas a adaptação da igreja aos tempos cria uma cultura curiosa: o bom culto é o animado, agitado, o barulhento, aquele onde a pessoa aculturada há tempos assim, se sente bem. Não é mais o que produz reflexão sobre a vida, sobre Deus, sobre a eternidade. Outro dia comentei com Meacir que toda vez que ligo a televisão, não importa o horário, encontro um canal com gente pulando e se remexendo. Ver televisão me cansa! Como tem gente pulando! Reflexo de uma cultura de expressão corporal, de agito, de barulho. Os sentidos são mais importantes que a razão. Isto migrou para a liturgia. A boa liturgia deve ser agitada, e inclusive o sermão deve ser agitado. Mas como há mandamentos neotestamentários exortando ao uso da razão, do pensamento, da análise! O fio de prumo deve ser cultural ou neotestamentário? Devo me preocupar com o conteúdo bíblico ou com a “salvação litúrgica” recomendada por alguém, sem a qual minha igreja morrerá? Fico com a orientação do autor da Bíblia, o Espírito Santo (2Pe 1.21) ou com a dos escoteiros mirins eclesiásticos?

Será que o que presenciamos é o que estava na mente de Jesus quando disse “edificarei a minha igreja”? Igreja é um lugar onde passamos momentos de catarse? Igreja é aonde vamos para nos sentirmos bem? Para sobreviver à igreja precisa de toda essa parafernália que está enriquecendo seus vendedores? Esses “salvadores” com suas fórmulas, modelos, estruturas, opções litúrgicas, não estarão se esquecendo do conteúdo da igreja? Que ela não é um ajuntamento social, mas o agrupamento dos salvos, com uma missão? Que sua finalidade não é promover entretenimento para as pessoas, mas anunciar todo o conselho de Deus? Que sua saúde e seu vigor dependem de Deus, do seu poder que opera nela, de sua fixação sobre o Cristo crucificado?

A igreja dispensa salvadores humanos e receitas sociológicas ou empresariais para viver. Ela é sobrenatural. Ela vive e sobrevive por ser o corpo de Cristo na terra. E não apenas a igreja universal ou um tipo de igreja abstrata, idealizada por muitos. A igreja local é corpo de Cristo. A expressão paulina “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (1Co 12.27) foi dirigida a uma igreja local, e não a uma comunidade etérea, vaporosa, conceitual, que muitos admiram, mas que não existe. Seu Senhor é aquele que diz de si mesmo: “Eu sou o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1.18). E ela está edificada sobre ele. Domingo passado, ao celebrar a ceia do Senhor com a igreja da qual sou servo, a Batista Central de Macapá, no Amapá, disse-lhe que aquele era o momento mais significativo da liturgia cristã, para mim. Era a certidão de nascimento da igreja. “Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22.20). Deus fez um novo pacto com os homens, e ele está manifestado na igreja. Somos o povo do novo pacto. Ele foi firmado com o sangue de Cristo. A igreja nunca será extinta nem vencida. Ela nasceu na eternidade, no coração de Deus (Ef 1.4), irrompeu na história pelo ministério do mais fantástico vulto que a humanidade conheceu, Jesus de Nazaré, Deus-Homem, e foi pactuada entre Deus e os homens pelo sangue de Jesus. E, na meta-história, finda a história, e não houver mais nenhuma instituição humana, a igreja estará com o Senhor. A igreja universal é fantástica. A igreja local, expressão máxima da igreja militante, não é menos fantástica. Mesmo com tanto joio no meio do trigo, ela é de Jesus. O trigo vale à pena! É preciso ter cuidado para não trazermos mais joio para o trigal além daquele que o inimigo planta.

A igreja não precisa se adaptar a novos tempos nem de novas técnicas e modelos. Ela precisa viver o evangelho porque o poder é do evangelho (Rm 1.16), e não de formas ou modelos. Por exemplo, Jesus não tinha uma técnica para atrair pessoas. Ele pregava as boas-novas do reino. Corações que querem Deus se abrem para a mensagem de boas-novas. É diferente ter uma membresia atraída pela mensagem de Jesus e ter uma membresia atraída por um programa agradável. Um dia, esta parcela de atraídos por programas descobrirá que o mundo oferece mais, e irá atrás do mundo. Porque o mundo sabe oferecer entretenimento muito melhor que nós. E quem transforma o evangelho em entretenimento dará contas a Deus do que faz. Mas, a membresia que se rendeu ao evangelho de Jesus permanece. A igreja está sendo desfigurada e em alguns momentos ridicularizada por pessoas que a despem de sua grandeza e sua sobre naturalidade e insistem em métodos e receitas de marqueteiros para energizá-la. A energia da igreja vem do Espírito Santo, da comunhão com ele, do abandono do pecado, do aprofundamento nas Escrituras. Para triunfar, ela precisa apenas ser igreja. Isto é: depender da graça de Deus, ser espiritual, viver na presença dele, obedecer a sua palavra, cultivar bom relacionamento interno, viver ao pé da cruz, enfim. A igreja é espiritual e precisa de soluções espirituais. E estas estão prescritas na Palavra de Deus. A igreja precisa voltar a ser igreja e deixar de ser uma organização religiosa comandada por executivos espirituais e conselhos administrativos empresariais. Precisa ser igreja, nada mais que isso.

Por isso, deixem de tentar salvar a igreja. Cristo já fez isto e lhe outorgou vitória. Sirvam-na. Amem-na. Engajem-se nela. Isto basta, porque é Deus quem a faz crescer. “Eu plantei; Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1Co 3.6). Por isso, Zezinho, Huguinho e Luisinho: menos afoiteza e mais serviço. Mais testemunho e mais evangelização. Mais investimento do tempo, emoções e bens. Sejam servos, e não salvadores. A igreja precisa de amantes e de servos, não de salvadores. Ela tem um: Ele. Isso basta.

Texto do Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho
Texto retirado do blog do pastor Isaltino -http://www.isaltino.com.br/2010/08/parem-de-tentar-salvar-a-igreja/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FrienDay-GABS